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Mesmo com safra recorde, algodão enfrenta baixa nos preços em 2025

Brasil mantém liderança global no algodão mesmo com mercado interno em baixa


Foto: Canva

O ano de 2025 foi marcado por fortes oscilações no mercado brasileiro de algodão. De acordo com dados divulgados pelo Cepea, o setor enfrentou um cenário desafiador, com queda prolongada dos preços internos, resultado da combinação entre oferta elevada, consumo limitado e desvalorização no cenário externo.

No primeiro semestre, especialmente entre janeiro e maio, o mercado interno operou em alta. Segundo o Cepea, a média de preços da pluma em maio foi a maior em termos reais desde março de 2024. Esse movimento foi sustentado pela firmeza dos vendedores durante a entressafra e pelo impulso dos preços internacionais.

Contudo, a partir de junho, o cenário mudou. Os preços da pluma iniciaram uma trajetória de queda acentuada, pressionados por fatores como a redução das cotações internacionais, a valorização do real frente ao dólar e a entrada de estoques remanescentes da safra 2023/24 no mercado.

A aproximação da colheita de uma safra historicamente volumosa para 2024/25 intensificou a pressão sobre os preços. Diante desse excesso de oferta, compradores passaram a atuar com maior cautela, esperando por cotações mais baixas e negociando com prazos estendidos.

Segundo o Cepea, mesmo com o forte desempenho das exportações, a recuperação dos preços foi limitada. Entre os principais entraves estiveram a instabilidade geopolítica global, um câmbio menos favorável à exportação e a retração na demanda doméstica e internacional.

Em outubro, os preços internos passaram a operar abaixo da paridade de exportação — fato que não ocorria desde o final de 2024. Essa inversão refletiu o desequilíbrio entre oferta e demanda e acentuou as dificuldades de comercialização no mercado interno.

Já em novembro, os embarques seguiram intensos, mas os preços médios continuaram em queda, atingindo o menor valor real desde setembro de 2009. Com esse panorama, agentes do setor concentraram esforços na programação de contratos a termo para o início de 2026 e para os lotes da próxima temporada.

Ainda assim, o Brasil manteve seu protagonismo no comércio internacional. As exportações de algodão em pluma atingiram volume recorde na safra 2024/25, com 2,835 milhões de toneladas embarcadas entre agosto de 2024 e julho de 2025 — um aumento de 6% em relação ao ciclo anterior, segundo dados da Secex.

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